segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A Formação da Estância




"Estância" quer dizer "lugar de estar", como as estâncias hidrominerais, tão populares, hoje. Mas é também o lugar onde se cria gado para vender, ou seja, trata-se de uma empresa comercial.

Foi o padre jesuíta quem criou a estância gaúcha. Preocupado com a crise de fome que assolava os povos, em 1634 o Padre Cristóbal de Mendonza trouxe mil cabeças vacuns desde a Argentina, gado esse que foi distribuído em "estâncias" para o abastecimento dos povos. Alguns ficavam distantes das Missões, como a de Santa Tecla, hoje no município de Bagé. Para cuidar das estâncias, os jesuítas treinaram a cavalo índios "vaqueros", que logo iriam se somar aquele denso caldo humano do qual vai brotar o Gaúcho.

Expulsos os jesuítas, muito gado ficou por aqui e o branco - espanhol ou português - foi se adonando de tudo, organizando as suas próprias estâncias. E já registrando "marca" (que era enorme) e "sinal" (cortes específicos nas orelhas dos animais), como persiste até hoje.

Essas primeiras estâncias tinham como limites os meramente naturais - rios, montes, matos - mas cada um sabia o que era seu e até uma ninhada de tatus assinalados era respeitada escrupulosamente pelos vizinhos... Ademais, os jesuítas muitas vezes mandavam os índios escavar extensos valos, para delimitar áreas de campo, como os que existem ainda hoje na estância Guabijutujá, em Tupanciretã. Depois, com os escravos, vieram as cercas de pedra, existentes ainda hoje, que os serranos chamam de "taipa". Na metade do século XIX aparece a cerca de arame, fazendo a divisa de potreiros, invernadas e postos.

sábado, 13 de outubro de 2012

CHIMARRÃO - MATE - AMARGO



O Chimarrão é um legado do índio Guarani.

Sempre presente no dia-a-dia, o chimarrão constituiu-se na bebida típica do Rio Grande do Sul, ou seja, na tradição representativa do nosso pago. Também conhecido como mate amargo, como bebida preferida pelo gaúcho, constitui-se no símbolo da hospitalidade e da amizade do gaúcho. É o mate cevado sem açúcar, preparado em uma cuia e sorvido através de uma bomba. É a bebida proveniente da infusão da erva-mate, planta nativa das matas sul-americanas, inclusive no Rio Grande do Sul.

O homem branco, ao chegar no pago gaúcho, encontrou o índio guarani tomando o CAA, em porongo, sorvendo o CAÁ-Y, através do TACUAPI.

Podemos dizer, que o chimarrão é a inspiração do aconchego, é o espírito democrático, é o costume que, de mão – em - mão, mantém acesa a chama da tradição e do afeto, que habita os ranchos, os galpões dos mais longínquos rincões do pago do sul, chegando a ser o maior veículo de comunicação.

O mate é a voz quíchua, que designa a cuia, isto é, o recipiente para a infusão do mate. Atualmente, por extensão passou a designar o conjunto da cuia, erva-mate e bomba, isto é, o mate pronto.

O homem do campo passou o hábito para a cidade, até consagrá-lo regional. O Chimarrão é um hábito, uma tradição, uma espécie de resistência cultural espontânea.

Os avios ou os apetrechos do mate constituem o conjunto de utensílios usados para fazer o mate. Os avios do mate são fundamentalmente a cuia e a bomba.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

LENÇO NO PESCOÇO


Antonio Augusto Fagundes
O lenço de pescoço é “panache” do gaúcho, seu orgulho e sua honra. Muitas vezes foi também símbolo político. Em 1893 foram “maragatos” contra “pica-paus” (lenço vermelho contra lenço branco) e em 1923 foram “maragatos” contra “chimangos” (novamente o embate das duas cores tradicionais) e em 1930 o esperto Getulio Vargas uniu brancos e colorados e literalmente “invadiu” o Brasil...
Aqui no Rio Grande do Sul, ainda na monarquia, as brigas eram constantes entre conservadores e liberais quando surgiram com muita força os republicanos. Em 1892 funda-se o Partido Federalista, cujos seguidores, os caudilhos do campo e sua clientela, gostavam de usar o lenço vermelho como símbolo ostensivo de sua condição política, o que aliás os farrapos também fizeram a seu tempo.

domingo, 7 de outubro de 2012

Querência - César Oliveira e Rogério Melo


De fronte do galpão grande
Um cerne de curunilha
Palanqueador de tropilhas
Cravado num chão sulino
Sob a luz de um céu divino
O campo que não se entrega
À pata e a peito de égua
Vai ressabiando o destino


quinta-feira, 4 de outubro de 2012


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O LENÇO REPUBLICANO



          O Lenço Republicano, de autoria de Bernardo Pires, foi impresso primeiramente em 1841 nos Estados Unidos e após na Alemanha.

domingo, 30 de setembro de 2012

COMO O GAÚCHO SE TRAJOU DESDE O INÍCIO



da esquerda para a direita:

1 - Chiripá indígena, dito tipo saia;

2 - Chiripá tipo saia com acréscimos de elementos ibéricos e indígenas, e o uso do cinturão com bolsos;

3- Chiripá tipo fralda com cinturão com rastra, quando na fronteira com o Uruguai e a Argentina;

4 - O traje MAIS ELEGANTE do gaúcho, reservado às grandes ocasiões paletó e colete com bombachas e botas altas - quando em ambientes fechados esse gaúcho joga seu chapéu nas costas ou o leva na mão, por respeito aos demais;

5- Bombachas em traje de descontração e descanso, com cinto de duas fivelas e alpargatas;

6- Conjunto de bombachas e jaqueta com favos de abelha usado com botas sanfonadas (da serra) ou botas altas (inicía-se o uso intenso de cinturão com rastra no RS, de influência argentina e uruguaia);

7- Bombachas na lida campeira ou em rodeios usadas com botas
 altas e cinturão com rastra.

Desenhos exclusivos para a pesquisa Véra Stedile Zattera Vasco Machado.


Por: Lucas Pinho de Mello